
Gasta mais do que pode, consome mais
do que deve e ainda deixa as contas acumuladas para o futuro – mesmo sem saber
se um dia terá dinheiro para honrar os compromissos. Essa é a realidade em
91,4% dos municípios baianos, de acordo com dados do 2º Índice da
Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), divulgado ontem. O índice
analisou a gestão fiscal das cidades brasileiras no ano de 2011 tendo como base
dados enviados pelos municípios para a Secretaria do Tesouro Nacional. Nesta
lastimável lista, encontra-se o município de Apuarema, na 9ª pior posição do
estado da Bahia. A pasta executiva de 2011 foi
administrada pelo ex-prefeito Raimundo Pinheiro (Rair/PP), tendo, neste mês de
setembro, suas contas reprovadas pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) e
pela Câmara de Vereadores de Apuarema.
Foram analisados cinco aspectos: geração
de receita própria, gastos com pessoal (respeitando o comprometimento máximo de
40% do orçamento com contratação), investimentos, liquidez (planejamento
financeiro) e custo da dívida (deixar débitos para o ano seguinte). O IFGF varia
entre 0 e 1. Quando maior, melhor é a gestão fiscal. “Isso significa que as
prefeituras não conseguem gerenciar os recursos de maneira adequada, sem gerar
benefícios para as contas do município”, explica Jonathas Goulart, especialista
em desenvolvimento econômico da Firjan. Dentre as piores cidades baianas em gestão
(tabela ao lado), o destaque negativo é para a má liquidez das contas. “Há um
fraco planejamento financeiro por parte das prefeituras”, ressalta
Goulart. No grupo dos 500 piores municípios em gestão fiscal do Brasil, 68
são baianos.